Estatísticas oficiais

Segundo o site do DETRAN PE, em agosto de 2008 Santa Cruz do Capibaribe – PE contava com uma frota de 20.204 veículos automotores registrados no município para 73.680 habitantes, segundo dados do IBGE (2007) o que daria uma média de ínfimos 0,27. A nona frota do estado. Não é o que se vê nas ruas. Os veículos automotores são onipresentes e há que se levar em consideração também a quantidade de veículos emplacados em outras cidades e estados que compõe a frota, além do fluxo de veículos gerado pelo comércio local.

Alguém pode estar pensando: por que uma cidade de menos de 80.000 habitantes e com uma média (embora não muito precisa) de aproximadamente um carro para cada quatro pessoas deveria se preocupar com questões de mobilidade urbana e transporte coletivo? 

Estamos sim muito longe dos impressionantes 1,8 habitantes por carro de São Paulo ou Curitiba, mas Santa Cruz pode ser considerada como pertencente ao grupo de risco das cidades que tendem a ter problemas sérios de trânsito num futuro não muito distante. 

Segundo Eduardo Ratton, engenheiro civil e professor do Departamento de Trânsito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o principal fator de risco para um trânsito caótico é o poder aquisitivo da população. Aparentemente, com dinheiro sobrando, a primeira coisa em que se pensa é comprar um carro, mesmo que encareça o custo de vida e acarrete perda de tempo (nas grandes cidades). 

No caso de Santa Cruz, o carro ainda é uma eficiente ferramenta de trabalho pois diminiu o tempo de compra e venda para as empresas e facilita o transporte de mercadorias. Mas, assim como em outras cidades do mundo, vai chegar o dia em que o carro será motivo de complicações de saúde, como estress, cardiopatias, problemas respiratórios, perda de tempo etc. Ninguém aqui está dizendo que, assim como projetam as previsões em relação a São Paulo, Santa Cruz vai parar em 2012. Mas a falta de planejamento pode ter sérias consequências e se, como diz um amigo meu, um dia Santa cruz vier a ser uma cidade de verdade, que o seja pela arborização, pelos teatros e parques, por um transporte público de qualidade, pela limpeza das ruas e não por avenidas congestionadas e assaltos nos semáforos. O futuro se constrói a cada instante

O automóvel (ou como bem disse o professor Carlos Lessa, o complexo metal-mecânico) é mais uma bolha do mundo contemporâneo, só que de maneira distinta da bolha imobiliária americana ela não estourará de uma vez. Ela estoura um pouquinho todos os dias degradando a qualidade de vida das pessoas e diminuindo o poder econômico do Estado de investir em cidades mais funcionais para todas as pessoas e não apenas para grupos de interesse e financiadores de campanha.

Um círculo vicioso fortalecido toda vez que uma chave é girada na ignição de um veículo motorizado. Depois de quatro postagens sempre focadas no automóvel pode até parecer que este blogueiro que vos escreve faz campanha pela extinção dos mesmos. Longe disso. Os carros, de qualquer tipo, são muito úteis em várias situações e em outras até imprescindíveis (como no socorro a pessoas, por exemplo) mas estão longe de ser indispensáveis para todas as pessoas. Isso não há quem negue. 

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