qual o nosso problema mesmo?

 

A idéia do blog de uma forma geral, e deste post em específico, são frutos do acompanhamento diário que faço do blog maglia rosa. Dentre os vários posts publicados pelo Marcelo (Zaka) a respeito de casos de dopping no ciclismo, o último deles mostra o tratamento “diferenciado”  e rigoroso que os casos de dopping no ciclismo recebem, enquanto que em outros esportes (o caso citado é o futebol americano) a prática é utilizada, tolerada e penalizada de uma forma que até serve de incentivo ao uso (atletas recebem quatro partidas de suspensão. No ciclismo são dois ANOS para o primeiro caso) .

Fiquei pensando se esse tratamento de dois pesos e duas medidas teria algum componente emocional envolvido. Isso mesmo, emocional. O século XX foi o século do automóvel e muito foi feito no intuito de criar uma necessidade vital na sua posse e um dos resultados diretos desse esforço é o sentimento que extrapola a simples posse e adquire status de união entre ser humano e automóvel.

As cidades são estruturadas em função das vias por onde circularão os carros e não dos quarteirões onde estarão as casas. Esse exemplo, apesar de simples, mostra o atual lugar do automóvel nos últimos cem anos. Mostra também que trata-se de uma questão é urgente e por demais complexa.

Cem anos de glorificação da máquina criaram em torno dela uma série de valores sociais que fizeram do carro um dos componentes mais importantes da realização pessoal em nossa sociedade. E mesmo que seja uma obviedade ululante, como diria Nelson Rodrigues, o fato de que o carro se transformou em um dos principais problemas de nosso tempo, dizer isso de forma clara e objetiva mexe com os sentimentos de muita gente.

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2 comentários em “qual o nosso problema mesmo?

  1. Sempre tive alma andarilha… Combati o automóvel com todas as forças de minha juventude… Depois dos 30, trampando como professor, precisei agilizar minha locomoção. De repente, fui tirar a bendita carteira e comprei um carro em 48 prestações… Foram os piores anos de minha Vida!!! IPVA, estacionamento, gasolina, boletos, seguro… Só de lembrar, tenho vontade de chorar… Um belo dia, relembrei que era andarilho. Mandei aquele carro pro caralho!!! Vendi sem pestanejar e sem quaisquer sentimentalismos!!! Era livre novamente!!! Ao ver aquele Palio Fire 1.0 2003 nas mãos de outro otário, redescobri o prazer de não possuí-lo!!!!

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