esse ainda obscuro objeto de desejo

Acabei de ler um ótimo texto do professor Carlos Lessa sobre a forma como o Brasil de hoje foi construído como espaço automobilístico (quem já foi a Brasília não deixará de concordar com ele) e como as políticas públicas de transferência de renda atuais completam esse projeto na medida em que viabilizam a comercialização sempre crescente de automóveis. Para o professor, automóvel como bem industrializado, deve ser visto não apenas como um fruto de uma montadora ou outra, mas parte do “complexo metal-mecânico no Brasil”, e isso inclui as indústrias petro-químicas, as agências de publicidade, as concessionárias, as modalidades esportivas que promovem o uso de veículos motorizados e etc.

Atente-se também para o custo do valor simbólico e afetivo do carro que, retirado da vitrine em “voluptuosa relação”, se desvaloriza do ponto de vista patrimonial antes mesmo de tocar a rua. O simples fato de adquirir um carro sem placa ou “com cheirinho de novo” faz com que pessoas de parte considerável de sua renda em financiamentos do tipo pague dois (ou três) e leve um.

Lessa ainda aponta questões importantes como o custo financeiro de expansão e manutenção da malha viária e o custo social disso, haja vista que uma obra na rua é motivo de congestionamentos que por sua vez geram custos financeiros devido a improdutividade das pessoas paradas no trânsito que impedem que outros investimentos sejam feitos numa sucessão de prejuízos que deterioram cada vez mais a qualidade de vida das pessoas.

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2 comentários em “esse ainda obscuro objeto de desejo

  1. parabéns pelo blog. espero que todos os ciclistas urbanos se encontrem aqui e compartilhem das aventuras. um abraço!
    respeitosamente,

  2. Boas reflexões do profº Lessa.

    Fico me perguntando, qual é a política de Estado, para a garantia da mobilidade humana?
    No Brasil, depois de destruir (ou quase) o modal trem, só se pensa de carros – ou como diz o Luddista, a carrocracia – nas cidades, e macro cidades brasileiras, todos os ‘governos’ eleitos ou re-eleitos, atuam em prol desse único meio de transporte – o carro. E agora, o que fazer?

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