Já faz um tempo que estou nessa de blogueiro. É uma das minhas maiores contradições: não gosto muito de falar, sou mundialmente conhecido entre meus amigos por ser terrível ao telefone, prezo o silêncio e gosto de estar sozinho. Sou capaz de passar dias sem falar uma só palavra (verdade verdadeira).
Quando descobri o formato blog nunca imaginei que seria a mídia ideal para vestir minhas idéias e foi exatamente o que aconteceu. Apesar de calado, a natureza assincrônica do blog me permite falar sem falar, e conversar sem conversar. Não que eu não converse com pessoas ao vivo, nada disso, mas a assincronia do blog permite que uma conversa tenha menos ruído e mais pontos de vista, declarados ou não.
Meu primeiro blog foi como uma espécie de remédio contra insônia. Houve um tempo que eu acordava no meio da noite e só voltava a dormir se escrevesse alguma coisa. Um dia peguei essas coisas e publiquei. Ninguém leu mas serviu de terapia. Passei um tempo sem insônia e sem escrever.
Meu segundo blog foi este aqui. Estava, como agora, muito interessado no desenvolvimento da mobilidade urbana por bicicleta e apesar de pouco atualizado, continua firme e forte. Foi aí que eu conheci o Maglia Rosa que, na minha opinião, é o melhor meio de comunicação sobre ciclismo do país (incluindo, TV, internet e meios impressos). Pedi pro Zaca publicar um release sobre o Moda Cup, evento de mtb de cuja organização fazia parte na época, e surgiram alguns comentários bem mal educados e preconceituosos no sentido de um post sobre um evento de mtb estar maculando a natureza do maglia tratar exclusivamente de ciclismo. O Zaca me defendeu mas eu resolvi criar um blog sobre mtb e foi aí que surgiu o brasilmtb.
O blog foi uma grande experiência. Conheci muita gente bacana. Aprendi muito sobre o esporte, comunicação e principalmente sobre a força das redes sociais. Dei alguns furos de reportagem, como a criação da Soul Cycles, por exemplo e pude dar a minha pequena contribuição abrindo espaço para jovens atletas como o Nícolas Sessler. Claro que eles não precisaram ou precisariam de um blog para conseguir o que estão conseguindo mas é bacana saber que eles gostaram das coisas que escrevi.
Eis que a blogosfera deu uma volta e me deparei com aquele mesmo problema da segmentação de conteúdo que fez surgir o brasilmtb, mas de uma forma mais complexa: 1 – eu gosto de mtb mas eu não gosto só de mtb; 2 – eu gosto de escrever mas eu não gosto de ter que publicar 3x por dia. E mesmo sem saber disso quando comecei o brasilmtb, é o que se espera de um blog voltado tão diretamente para um nicho de informação: exclusividade e peridiocidade.
Confesso que a constatação dessas “obrigações” me deixou meio desgostoso com o blog e passei um bom tempo pensando no que fazer. Decidi que não vale a pena restringir a um único tema meu especo e principalmente meu tempo para ler e escrever. Decidi também que este blog não é mais apenas sobre mobilidade urbana. A partir da próxima postagem poderá ser um blog sobre mtb, fotografia, design, relações internacionais, música, pintura, cinema, teatro, política e, principalmente, sobre etc. Acredito que a variedade de temas atrairá uma audiência igualmente variada e espero que todos saiam ganhando com a experiência.
É bem possível que eu migre o conteúdo dos outros dois blogs para cá.



Cadê a poesia?
A tag me enganou
um click me roubou
Mas eu não queria
Sem essa fantasia
Que das letras brotou
E por idéias trilhou
Como em ciclovia…