Essa semana duas notícias bem diferente chamaram muito minha atenção.
A primeira, e a melhor, foi a matéria do Jornal Hoje de 07/01 sobre a “cidade das bicicletas”. Afuá, (40.000 hab.) no estado do Pará, é apresentada como a cidade onde o carro não tem vez e onde todo o transporte é feito com bicicletas. Dada a famosa “lisura” do jornalismo global, fiz uma pequena pesquisa no oráculo e realmente foi impossível achar uma única imagem de Afuá onde aparecesse um veículo terreste movido a combustão.
Lá, as bicicletas são, açougue, táxi, publicidade móvel e até ambulância. E se você está se perguntando como é possível carregar um paciente em um veículo de apenas duas rodas, te digo que a população afuaense conta com uma versão moderna do poeta modernista Oswald de Andrade. Isso mesmo, no melhor espírito antropofágico, o sr. Raimundo Socorro Souza Gonçalves adaptou sua magrela para poder transportar sua família com mais comodidade e deu início a toda uma cadeia de iniciativas para a reinvenção da bicicleta baseada nas necessidades locais.
De táxi a ambulância, todo tipo de transporte terrestre é movido a propulsão humana. No entando, há que se entender que o desenvolvimento dessa cultura da bicicleta está determinado pelas características estruturais da cidade, construída sobre palafitas onde muitas ruas são pontes de madeira fincadas no solo alagadiço da floresta fluvial. A circulação de carros e motos é proibida mas o imaginário do automóvel está muito presente na cidade. Os bicitáxis são chamados de carros e tentam seguir o conceito e as modas ligadas ao automóveis, como por exemplo o “tunning”.
É sempre muito difícil analisar uma realidade sem uma experiência “in loco” mas acredito que Afuá deve ser tida, no mínimo, como uma comprovação de que o desenvolvimento baseado em pequenos núcleos comunitários comunicados por transporte coletivo é perfeitamente viável e alternativo ao padrão metropolitano.
Um texto muito bacana do qual tirei muitas das informações usadas neste post pode ser encontrado aqui.






